Os desafios tributários dos grupos familiares

Os desafios tributários dos grupos familiares

Os desafios tributários dos grupos familiares

Os desafios dos grupos familiares brasileiros são imensos, bem maiores do que aqueles enfrentados em praticamente qualquer outro país do mundo, dado o nosso caótico sistema tributário: altíssima carga tributária, multiplicidade de tributos, grande complexidade no cumprimento de obrigações acessórias, absurdos custos de Compliance e enorme volume de contencioso.

Seus desafios, contudo, vão além disto tudo. Há de se pensar nas maneiras mais fiscalmente eficientes para se transferir o patrimônio e os negócios para as futuras gerações.

A crise financeira dos Estados brasileiros os levou a aumentar substancialmente a tributação sobre doações e herança. Antes, a alíquota média era de 4%, contudo muitos Estados já majoraram para o teto de 8%, o máximo permitido. Mas não falta vontade dos governos em aumentar este limite para além dos 8% , bem como a possibilidade da União de criar pesada tributação de heranças e doações pelo imposto de renda.

A manutenção da riqueza familiar também deve ser cuidadosamente analisada. A incidência do imposto de renda sobre os rendimentos acumulados e ainda não distribuídos pelos fundos exclusivos pode se tornar uma realidade.

Há de se pensar sobre como reduzir os possíveis impactos disto tudo, o que nos faz lembrar da famosa frase atribuída a Jean-Baptiste Colbert, ministro das finanças do rei francês Luis XIV: “a arte da tributação consiste em depenar o ganso obtendo o maior número possível de penas, com o mínimo de chiadeira”. Nosso governo é sempre muito hábil no depenar. E nós, gansos, gentis ao muito pouco chiar.

Como se vê, o terreno tributário das famílias empreendedoras é arenoso e repleto de armadilhas. Planejamento, treinamento e visão de futuro são essenciais. É o desafio de combinar os empreendimentos, as peculiaridades do ambiente de negócios brasileiro, os relacionamentos familiares e os choques geracionais com o nosso “manicômio tributário” (como o chamava o brilhante tributarista gaúcho Alfredo Augusto Becker). No Brasil, pode se morrer de tudo, menos de tédio.

Ana Carolina Monguilod é advogada e professora.

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