Escutava dia desses de Bosco, um amigo do SEBRAE, que quando ele começou no mundo do empreendedorismo – nos idos da década de 1990 – a moda era qualidade: tudo que se falava e estudava era em torno do tema. Ter qualidade era o grande diferencial competitivo e o empreendedor antenado teria por obrigação embarcar nesta onda. Mas, como uma moda que vem e que fica, ter qualidade virou algo essencial no mundo de hoje.
“É como uma calça jeans, começou como uma moda, mas hoje todo mundo tem
uma no armário e ninguém discute sua utilidade”, completou meu amigo. É assim
também em relação à qualidade nas empresas! Bosco introduziu o tema para falar
que a grande onda de hoje é a inovação. Ser inovador é a grande missão do
empreendedor dos nossos tempos. Ser inovador é a blusa colorida no meio da
multidão cinza. Sem inovação não se tem diferencial competitivo!
É de uma certa forma irônico falar em inovação como algo moderno e atual, pois se
olharmos pelo espelho da história, vamos encontrar o austro-húngaro Joseph
Schumpeter (1883-1950), um dos grandes economistas da primeira metade do
século passado e reconhecido como o pai do Empreendedorismo moderno,
ensinando em sua obra Capitalismo, Socialismo e Democracia (1942) que o
processo de inovação é inerente ao empreendedor. No entendimento de
Schumpeter, o empreendedor é o personagem principal nas mudanças constantes
no capitalismo, tornando obsoletas as estruturas tecnológicas. É o que ele chamou
de “destruição criativa”. Assim, a força motriz por trás do progresso econômico é a
inovação, onde esta funciona como uma permanente fonte destruidora. Sem ela,
não há riquezas. E ao empreendedor é depositada a missão de realizar estas
inovações que vão fazer andar o sistema capitalista. Mas, afinal, o que é inovar?
Conceitualmente, muitos estudos sérios têm sido conduzidos para entender o
processo de inovação. Se quiser se estender mais sobre o conceito, procure pelo
“Manual de Oslo” na internet. É um extenso trabalho conduzido pela Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que traz diretrizes sobre
inovação. Procure também um vídeo no YouTube “De onde vem as boas ideias” de
Steven Johnson: uma forma inovadora de ensinar o conceito de inovação. Livros?
Sites?
É certo que existem diversas formas de você se inteirar desta nova onda que é a
inovação no mundo dos negócios. Mas, sinceramente, saber tudo sobre inovação
não fará de você uma pessoa inovadora. Não estou falando que o conhecimento não
seja importante. Ao contrário, informação e inovação andam de mãos dadas. Mas a
inovação vai muito além de dominar técnicas ou conhecimentos! A ideia de
mudança veio à sua mente? Boa conclusão. Inovar é mudar! E, como sempre digo,
mudar nunca é fácil!
Deixa eu me explicar com uma história contada por outro bom amigo, Alberto
Bittencourt. Ele me ensinou que melhorar é transformar um gato magro em um gato
gordo e saudável. Apesar de melhor, ele continuará a ser um gato. Inovar, por outro
lado, é transformar um gato magro numa onça pintada, que reina nas florestas! É
isto que você precisa entender sobre inovação: você precisa deixar de ser gato e
virar onça! Inovação = inovar a ação! Fazer uma nova ação! Fazer o novo, ser
curioso, instigar a diferença! É fugir do velho, do arcaico, do prosaico, do banal! E a
mudança precisa começar por você!
Entenda inovação como algo que tem que partir de você, pois como ensina
Schumpeter, inovar está na essência do ato de empreender! Outro gênio do século
passado – e talvez de muitos séculos porvir! – Albert Einstein, disse certa vez: “não
tenho nenhum talento especial. Sou somente apaixonadamente curioso”. E você, é
apaixonadamente curioso? Pense nisso. Bom trabalho. Sucesso!
Semio Timeni – Advogado e Consultor em Governança e Sucessão Familiar