As Empresas precisam de Líderes


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A boa notícia: os grandes eventos – como a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 – se somam ao momento favorável que vive a economia de nosso país. A expectativa é de se gerar na iniciativa privada mais de 8 milhões de empregos até 2015, sendo quase 2 milhões somente neste ano. O RN faz parte deste contexto, sendo uma das economias que mais cresce no nordeste, principalmente pela competência dos seus empreendedores, que  se espalham por diversas regiões do estado, sempre aproveitando o melhor do que Deus nos deu.

A má notícia: o risco de apagão de mão de obra é real. A falta de investimento em educação coerente com as necessidades do país fez com que vivamos um momento de grandes dúvidas: como as empresas podem crescer sem o recurso mais precioso que existe, o recurso humano? Como se expandir sem uma força de trabalho capacitada e comprometida com os resultados organizacionais? Como acelerar o processo de formação desta mão de obra para que não percamos o bonde da história?

Estas indagações estão em pleno debate no país. Contudo, pouco se tem discutido sobre a face mais preocupante deste grave problema: quem são os líderes que conduzirão estes processos? Mais do que apagão na mão de obra operacional, o grande problema que precisaremos enfrentar é o apagão de líderes! Se formar um bom pedreiro ou advogado leva tempo, se formar um competente médico ou vendedor demanda investimentos, o que dizer de líderes?

É altíssimo o índice de líderes inábeis no mercado, principalmente pela infeliz cultura de se promover pessoas despreparadas para a função. É aquele velho pensamento de, por exemplo, se promover o melhor balconista para a função de gerente, como se isto fosse um prêmio. Na maioria dos casos, se perde um bom balconista e se ganha um péssimo gerente. Raros são os que conseguem adquirir as competências necessárias para desempenhar bem as novas responsabilidades.

E que competências são estas? Liderar é mais uma soma de comportamentos (ações) que se aprende do que um dom mágico ou algo que nasce com a pessoa, que vem no DNA. São ações simples. Mas não são ações fáceis. Por quê? Porque exige mudanças comportamentais, e mudar nunca é fácil. Mas querendo, muda-se.

Emotional intelligence

Um dos mais importantes estudos sobre padrões comportamentais que geram resultados nos aspectos de liderança foi conduzido por Daniel Goleman, referência nos estudos da Inteligência Emocional. É dele o artigo já clássico “O que faz um líder?”, onde, inspirado nos estudos do renomado psicólogo americano David McClelland, apontou seis estilos de liderança presentes no universo das empresas. Diz Goleman que quatro desses estilos – Visionário (lidera pela visão comum), Agregador (cria harmonia e vínculos com os liderados), Democrático (busca o consenso) e Conselheiro (formador de pessoas) – impactam positivamente no clima e nos resultados das empresas. Os outros dois estilos – Despótico (impõe suas ordens) e Agressivo (alta exigência de resultados) – mesmo impactando no longo prazo de forma negativa no clima organizacional, são legítimos e necessários em determinados momentos. O que este autor convida é que o líder conheça-se e administre suas ações e reações para que, sempre que necessário, utilize o estilo mais pertinente.

Mas para isto, é necessário conhecimento das ações que formam um líder de resultados. E colocar em prática diária estas ações. Liderar pelo poder é fácil: uma vez investido do cargo, você obriga as pessoas a obedecerem suas ordens. Não dura muito e este poder se dilui, ou pela desmotivação e conseqüente falta de resultados, ou pelo simples desligamento das pessoas por não suportar um líder com estas características. A verdadeira Liderança nasce da autoridade que os outros enxergam em você, e isto só é conseguido com o tempo. O segredo está na construção de relacionamentos, de forma positiva e duradoura. É como se diz: liderar não é impor, mas despertar nos outros a vontade de fazer.

Por fim, uma pergunta: e você? Você está sendo o líder completo que sua empresa precisa?

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Semio Timeni Segundo é Mestre em Administração, Consultor Empresarial e Coach.

Artigo originalmente publicado no jornal Tribuna do Norte em 17 de abril de 2011

 

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