Sobre empresas e famílias – Artigo


Família, família, negócios à parte
Family Business
Família e empresa, duas organizações que muitas vezes se confundem num mesmo ente, onde não se sabe onde se começa uma e se termina a outra. Uma realidade muito presente na sociedade brasileira, onde a grande maioria das empresas tem em sua constituição membros de uma mesma família. Por isso eu te pergunto: empresa familiar é bom ou é ruim?
Primeiro, entendo que não existe essa história de empresa familiar. Empresa é empresa, seja ela constituída por membros de uma mesma família ou não. Daí nasce o cerne do problema: muitas vezes as famílias confundem o ambiente familiar com o da empresa, e vice versa. Então o que se precisa é separar os papeis de forma clara e objetiva. Simples? Fácil? Pois é, nem simples nem fácil…
A solução para as empresas e as famílias que se confundem num mesmo ente é algo maravilhoso para qualquer organização onde existam pessoas, contudo nem é simples nem é fácil de se construir: o diálogo. Sociedades familiares formadas por sócios que tem parentescos diretos, sejam marido e esposa, irmãos, pais e filhos, ou ainda tudo isso juntos, precisam saber conjugar o verbo dialogar. Só através da abertura franca e honesta, construída através do tempo, pode-se gerar relacionamentos sadios na família e na empresa.
Numa economia jovem como a nossa, muitas empresas com 20 ou 30 anos estão só agora começando a enfrentar o desafio da sucessão de comando. Daí ser tão importante trazer este tema sob o aspecto do planejamento da sucessão, pois, como ensina o milenar pensamento chinês “o começo deve ser o momento de pouca ação e muita reflexão”. E a reflexão convida ao diálogo. Identificar entre os parentes aquele com talento e competência e que verdadeiramente se interessa pela empresa não é tarefa fácil…
Por outro lado, há de se reconhecer que um traço comportamental de muitos empreendedores no nosso país é a centralização do poder. Em consequência, enormes dificuldades em delegar, principalmente para as novas gerações. A causa pode estar na dificuldade do empreendedor brasileiro em enxergar a sua empresa como algo maior que ele mesmo. Você quer que sua empresa dure 30, 50, 100 anos? Então não se esconda do assunto sucessão. Encare ela de frente e agora, planejando desde já o seu futuro.
Mas tem também o outro lado: o dos herdeiros. Não raro, encontro dois cenários em empresas que não se planejam: ou pode existir briga pelo poder, ou existe fuga para não servir aos negócios da família, preferindo os herdeiros muitas vezes abrirem seus próprios negócios e trilharem seus próprios caminhos. Tanto um cenário como o outro são legítimos. Qual a solução? Diálogo! Só através de um relacionamento franco se trabalham expectativas, medos, dúvidas, competências, enfim, se constrói um futuro onde, entre tantas opções, ainda existe aquela que é para muitas empresas/famílias a melhor saída: a entrada de gestores de fora para tocar o negócio.
E qual a minha resposta para a pergunta lá de cima: afinal, empresa familiar é bom ou é ruim? Entendo que família na empresa é ótimo! O conhecimento profundo dos negócios e a intimidade entre seus membros podem ser diferenciais competitivos importantes, bem como a confiança e a credibilidade que uma empresa familiar bem gerida passa ao mercado.
Contextualizando o velho ditado para o assunto aqui tratado, diria: família, família, negócios à parte! Não para excluir a família dos negócios, mas sim para convidar para uma clara separação, tratando família como família e negócio como negócio.
Sou um apaixonado pelo estudo do Comportamento Humano e tenho feito do tema um diferencial nos meus trabalhos profissionais. Nestes anos de experiência, construí a crença de que havendo a legítima abertura para a construção do diálogo, qualquer família vive em harmonia. Em casa e no trabalho!
Como já ensinava o americano Benjamim Franklin, “paz e harmonia: eis a verdadeira riqueza de uma família”. Pense nisso. Bom trabalho. Sucesso!
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Semio Timeni Segundo é Mestre em Administração, Consultor Empresarial e Coach
Artigo originalmente publicado no Jornal Tribuna do Norte no dia 10 de julho de 2011

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